Imagens de celular no atendimento de urgências de traumatismos dentários

Será possível utilizar imagens ou vídeos de celular para ajudar no diagnósticos ou orientações nos casos de traumatismos dentários?
Em 2014 fiz minha dissertação de mestrado avaliando o uso da teleodontologia pelos odontopediatras do DF e a efetividade de imagens feitas por meio de celulares para o diagnóstico dos traumatismos dentários. Constatamos que a maioria dos colegas já usavam essa tecnologia e que esses recursos foram validados no diagnóstico da maioria e principais tipos de traumatismos dentários. A ideia da dissertação nasceu das inúmeras vezes que recebemos solicitações de pais ou colegas para ajudar por meio de esclarecimentos ou orientações à distância.
Uma questão muito importante que continuo a observar quando recebemos essas solicitações é, ainda, a qualidade limitada das imagens e, principalmente, a falta de informações a respeito dos casos a serem avaliados. Observo, em grupos das redes sociais, profissionais competentíssimos dispostos a ajudar, mas impossibilitados pelas limitações das informações.
Em função disso, gostaria de propor um protocolo simples que todos pudessem realizar, enviando imagens com uma qualidade mínima (desde que possível, é claro) e informações mais completas possibilitando a formulação de hipóteses diagnósticas à distância, capazes de ajudar realmente nesse quebra-cabeça que é o diagnóstico, não só dos traumatismos dentários, mas na maioria das patologias comuns na odontopediatria.

SUGESTÃO DE UM PROTOCOLO SIMPLES
Imagens e vídeos: imagens ou vídeos com incidências frontais, oclusais, em oclusão em casos de traumatismos dentários. Imagens nítidas, claras e enquadradas. (Quando não for possível a qualidade ideal esclarecer que não foi uma falta de cuidado na obtenção das imagens, mas sim em função do contexto).
Informações básicas: Sexo – Idade – Queixa – Sinais e sintomas (O dentista ou paciente que enviar as imagens deve descrever as alterações mesmo que estejam evidentes nas fotos, de forma que fique claro para todos que aquelas alterações já foram identificadas) –

Onde, quando e como aconteceu. (Principalmente nos casos de traumatismos dentários) e o que já foi feito (procedimentos domésticos, clínicos ou radiográficos já realizados).

Estamos acostumados a supor que o outro já saiba o que sabemos, mas geralmente não é assim. Fornecer informação detalhada pode demandar um pouco mais de tempo, mas o resultado final, provavelmente, será muito melhor, para os pacientes, famílias, profissionais e para toda odontopediatria.
Espero ter contribuído com essas observações tão óbvias, mas que julgo tão importantes.
Um grande abraço a todos!
Rogério de Almeida Geraldino, MSc, FIADT,
Especialista em Odontopediatria e Saúde Coletiva